Auto Massagem – Banho Seco

 Auto-massagem ou banho seco – nome que atribuo ao amigo e filósofo Juracy Cançado – é extremamente eficiente para relaxar, drenar toxinas, diminuir dores e auxiliar o processo de desintoxicação do organismo. O sistema sanguíneo venoso e linfático é bastante favorecido com a prática, e o fluxo de Qi (energia) volta a circular com suavidade por todo o organismo. A massagem pode ser feita diariamente, em dias alternados, ou ainda ocasionalmente, ao se sentir irritado, mau humorado, com dificuldade de dormir, inchado, edemaciado ou com o corpo pesado e dolorido, após atividade física extenuante.

A grande vantagem é ser uma prática sem custo. Você pode fazer quando quiser, mas o ideal é ao acordar. Estar ao ar livre aumenta os benefícios; estar descalço e pisar na terra ou na grama, proporciona o “desaterramento”, termo usado para drenar o excesso de energia bioelétrica produzido pelo metabolismo.

Tempo da massagem

O tempo da massagem precisa ser controlado em cada grupo muscular. O excesso machuca a musculatura. Se você massageia um grupo muscular por tempo excessivo, poderá causar dor horas depois da aplicação. Por isso, cada grupo muscular (pescoço, perna, braço) deve ter uma variação de tempo entre 5 a 7 minutos. Mais do que isso, em cada grupo de músculo, também não faz bem.

Quando não fazer massagem

Não se deve fazer massagem quando estiver com febre, resfriado, sobre ferida ou em inflamações na pele que apresentem sinais flogísticos como rubor, calor e edema.

Sensações comuns durante o banho seco

Sentir calor alguns minutos após o início da massagem, eliminar gases, sentir vontade de urinar ou defecar e ter a sensação da energia circulando pelo corpo.

E como funciona essa prática? Vamos aprender?
Banho seco passo a passo.

De pé, de preferência sem camisa e de short, permita que a luz da manhã entre por suas retinas e estimule a produção de cortisol. Em seguida aplique de forma suave socos na região das costas, na altura dos rins, estimulando a energia yang, aquela que dá disposição e energia para as atividades do dia.

A próxima área a ser massageada é a cabeça. Massageie o couro cabeludo colocando as mãos sobre a cabeça entrelaçadas e massageie lentamente, deslizando o couro cabeludo para a frente e para trás algumas vezes. Isso mobiliza as fáscias e drena umidade. Depois massageie a testa, ao redor dos olhos, ao redor do nariz, em volta dos lábios e seguidamente massageie as duas orelhas, uma com cada mão.

Passando para as mãos e os braços, a massagem deve ser feita nos dedos, massageando um por um, as palmas das mãos e as regiões posteriores delas. Mãos, pés e orelhas são áreas reflexológicas do corpo onde existem representações de todos os órgãos e vísceras.

Capriche na massagem! Depois é a vez dos braços, que devem ser massageados da seguinte forma: a parte externa do braço deve ser massageada no sentido das mãos aos ombros e a parte interna dos braços deve ser massageada no sentido das axilas para a palma da mão.

Depois vamos massagear o tórax e o abdômen, fazendo uma massagem no peito entre os mamilos, depois massagear lentamente as mamas na mulher e o entorno ao peito no homem.

Para massagear o abdômen o ideal é deitar e massagear em volta do umbigo no sentido do ponteiro do relógio, aplicando também tapinhas no mesmo sentido com a mão em concha para estimular o peristaltismo e auxiliar na eliminação de gases intestinais.

A última etapa é massagear as pernas e os pés que podem ser com estímulos com a mão fechada dando soquinhos na região posterior da perna no sentido da coxa para o pé. Depois repetir o processo aplicando socos na lateral da perna. Por fim, sentar no chão e massagear a parte interna da perna no sentido tornozelo para a coxa. Finalize o processo massageando as solas dos pés com a polpa dos polegares. Se desejar coloque um pouco de azeite e aplique uma massagem relaxante em todo o pé.

Energia

Para um organismo vivo existir ele depende de sol, da água, de nutrientes e de um sopro vital (Shen) espírito.

Ela precisa circular em fluxo constante e de forma suave, organizada e em todas as direções, caso contrário ele se dissipa ou se concentra e explode.

O organismo humano apresenta em sua e estrutura anatômica músculo, nos músculos as
fáscias, sangue e linfa onde se concentra água que é um condutor de energia por excelência, neurônios e conexões entre as células integrinas, também nas células milhares de mitocôndria onde é produzida energia, a energia circula por canais denominados pelos chineses de meridianos não sendo visível aos olhos, mas é assim a vida.
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A relação do coração e das emoções segundo a Medicina Chinesa e os atuais estudos de neuropsiquiatria

ALBERTO BASTOS

 

A medicina chinesa define bem a relação do coração e das emoções. Precisamos entender o cérebro e o coração como uma coisa única, sendo o cérebro yang e o coração yin. Para isso, precisamos entender também os três aquecedores como uma nuvem que circunda todo o corpo registrando todas as sensações corporais que serão sentidas no coração de forma yin e que, através de ressonância o cérebro traduz e exterioriza essas sensações de forma yang.

Entendo que o aquecedor inferior funciona separando o puro do impuro. O impuro é excretado e o puro será transformado em jing essência. No aquecedor médio teremos a formação do que poderíamos comparar ao preparo de uma “sopa”, dou este exemplo por que é ali que tudo é liquidificado, macerado, quebrado e isto é fundamental para absorção de nutrientes, vitaminas, minerais e principalmente da formação de jing essência e a eliminação do que não interessa, o impuro.
Agora vamos ao aquecedor superior. É nele que ocorre o registro das emoções, parte dessas emoções serão encaminhadas pelo cérebro para as células e outra parte exteriorizadas pelo aspecto yang do cérebro em expressões, palavras, sentimentos e conduta. “Como dizia Fernando Pessoa: Tudo que agora sinto está em mim pensando.”

Curiosamente a neuropsiquiatria moderna encontrou algumas correspondências que se enquadram na fisiologia da Medicina Chinesa.

“Recentemente se descobriu que o coração têm sua própria rede com dezenas de milhares de neurônios que agem como “minicérebros” (chamados “nuclei”), os “minicérebros” “nuclei” têm percepções particulares. Embora sua capacidade de processamento seja limitada, esses grupos de neurônios são capazes de adaptar seu comportamento às suas percepções e até de mudar suas respostas como resultado de sua experiência – ou seja, em certo sentido, de criar as próprias memórias.

Além de possuir uma rede própria de neurônios semi-autônomos, o coração é também uma pequena fábrica de hormônios. Ele produz seu estoque de adrenalina, que é libera quando precisa funcionar com capacidade máxima. O coração produz e controla a liberação de outro hormônio, o FNA (fator natriurético atrial), que regula a pressão sanguínea. Ele produz também sua reserva de oxitocina, geralmente chamada de “o peptídeo do amor”. (É o hormônio liberado no sangue quando uma mãe amamenta seu filho, durante o namoro e durante o orgasmo.) Todos esses hormônios agem diretamente sobre o cérebro.

Por fim o coração pode afetar todo o organismo por meio de variações de seu campo eletromagnético, o que pode ser detectado a vários metros de distância do corpo, mas cujo significado, a medicina ocidental ainda é incapaz de compreender”, pois esta relação se dá por fenômeno de circulação do Qi. Então se nos abrirmos para os conceitos da fisiologia energética podemos entender que os chineses já conheciam esta relação com muita propriedade a mais de 5000 anos.

O coração percebe e sente, ele estabelece seu próprio curso de ação e quando se expressa, influencia a fisiologia de todo o nosso corpo incluindo o cérebro, sua parte yang.

“O relacionamento entre o cérebro emocional e o “pequeno cérebro” no coração é uma das chaves para o domínio emocional. Ao aprender, literalmente a controlar o nosso coração, aprendemos a dominar nosso cérebro emocional, e vice-versa. Isso se dá porque a mais forte das relações entre o coração e o cérebro emocional é uma rede de comunicação difusa, de mão dupla, conhecida como “sistema nervoso periférico autônomo”- é a parte do sistema nervoso que, estando além do nosso controle consciente, regula o funcionamento dos órgãos.”

Dessa forma posso afirmar que a acupuntura, a dietética, a fitoterapia, a meditação e os exercícios chineses podem ser de grande contribuição em várias circunstâncias terapêuticas, das angústias às disfunções que levam a obesidade, a algumas alterações metabólicas primárias e de muitas outras patologias. Como costumo dizer, funcionamos como um instrumento musical que as vezes desafina prejudicando toda a música, quero dizer nossas relações com o que está a nossa volta.

 

 

 

 

 

Bibliografia:
O texto surgiu de um bate papo com o filósofo Juracy Cançado e da leitura do livro
Guérir – Le stress l’anxiété et la dépression sans medicaments ni pyschanalyse. Edition Robert Laffont S.A., Paris,2003
Dr.David Servan-Schereiber